Abandono afetivo: dano moral pela ausência de cuidados ao filho?

abandono afetivo de crianças e adolescentes

Saiba quais são as implicações legais do abandono afetivo

 

 

Você já parou para pensar no impacto que a ausência de cuidados e afeto pode causar na vida de uma criança? O abandono afetivo é um tema complexo e delicado, que envolve não apenas a questão legal, mas também a ética e a moral. A ausência de cuidados emocionais pode deixar cicatrizes profundas na vida de uma criança e, por isso, é um assunto que merece muita atenção e reflexão. 

 

O abandono afetivo ocorre quando os pais não oferecem aos filhos o suporte emocional necessário para seu desenvolvimento saudável. Isso pode incluir a falta de atenção, carinho, afeto e orientação. Embora muitas vezes o abandono seja associado à negligência física, como a falta de provisão de alimentos e cuidados básicos, o abandono afetivo vai além disso.

 

Neste artigo, você vai entender melhor sobre as implicações emocionais e legais que envolvem essa questão. Descubra quais medidas podem ser tomadas para prevenir o abandono afetivo e proteger o bem-estar emocional das crianças. 

 

O que é abandono afetivo?

 

O abandono afetivo se refere à negligência emocional e afetiva por parte dos pais ou responsáveis. Ele ocorre quando os cuidadores não proporcionam o apoio emocional e o carinho necessários para o desenvolvimento saudável da criança. E, esse abandono pode ter um impacto profundo e duradouro. Afinal, os pequenos que enfrentam essa situação podem desenvolver problemas emocionais, baixa autoestima, dificuldades de relacionamento e até mesmo questões de saúde mental ao longo da vida. 

 

Por isso, é importante destacar que o abandono afetivo não é apenas um problema de natureza emocional, mas também é uma questão ética e legal, uma vez que os pais têm a obrigação moral e legal de cuidar tanto das necessidades emocionais quanto nas físicas de seus filhos.

 

Sendo assim, o abandono afetivo é uma preocupação importante que envolve aspectos emocionais, éticos e legais, destacando a necessidade de cuidar do bem-estar emocional das crianças desde cedo e promover relacionamentos saudáveis entre pais e filhos.

 

Causas e consequências do abandono afetivo

 

As causas e consequências do abandono afetivo são complexas e variadas, e podem afetar profundamente a vida das crianças e adultos que vivem este tipo de situação. Em seguida, vamos ver exemplos das principais causas e consequências:

 

Causas do abandono afetivo

 

  • Problemas familiares e conflitos conjugais: o abandono afetivo muitas vezes está ligado a conflitos entre os pais ou responsáveis, como divórcio ou relações tumultuadas. Em situações assim, a criança pode acabar sendo negligenciada emocionalmente.

 

  • Problemas pessoais dos pais: questões como depressão, ansiedade, vícios, estresse financeiro ou problemas de saúde dos pais podem dificultar a capacidade de proporcionar o apoio emocional necessário aos filhos.

 

  • Falta de conhecimento sobre parentalidade: alguns pais podem não compreender plenamente a importância do cuidado emocional ou não terem sido educados sobre como desenvolver relacionamentos saudáveis com seus filhos.

 

  • Desinteresse parental: em alguns casos, os pais podem simplesmente não sentir interesse ou afeto genuíno por seus filhos, o que leva ao abandono emocional.

 

Consequências do abandono afetivo

 

  • Problemas emocionais: as crianças que experimentam o abandono afetivo muitas vezes desenvolvem problemas emocionais, como ansiedade, depressão, baixa autoestima e sentimentos de rejeição. Essas feridas emocionais podem persistir na vida adulta.

 

  • Dificuldades de relacionamento: a falta de modelos saudáveis de relacionamentos familiares pode resultar em dificuldades para estabelecer e manter relacionamentos interpessoais saudáveis na vida adulta.

 

  • Problemas de autoestima: o abandono afetivo pode abalar a autoestima da criança, levando-a a acreditar que não é digna de amor e afeto.

 

  • Problemas de saúde mental: em casos graves, o abandono afetivo pode contribuir para o desenvolvimento de distúrbios psicológicos mais sérios, como transtornos de ansiedade, transtornos de personalidade e até mesmo suicidas.

 

  • Comportamento autodestrutivo: alguns indivíduos que sofrem de abandono afetivo podem recorrer a comportamentos autodestrutivos, como o abuso de substâncias, como uma forma de lidar com a dor emocional.

 

  • Problemas acadêmicos e sociais: crianças que enfrentam o abandono afetivo podem ter dificuldades no desempenho escolar e enfrentar desafios na interação com colegas.

 

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Responsabilidade civil e legislação aplicável 

 

A questão do abandono afetivo encontra respaldo nas leis brasileiras, que estabelecem as responsabilidades dos pais em relação ao cuidado emocional e afetivo com seus filhos. 

 

De acordo com o Código Civil,  especificamente na Lei nº 10.406/2002, os pais têm a responsabilidade de assegurar o sustento, a educação e a criação de seus filhos. Em outras palavras, a lei estabelece que os pais devem cuidar não apenas das necessidades materiais, como comida e moradia, mas também das necessidades emocionais e afetivas de seus filhos.

 

Já o Estatuto da Criança e do Adolescente,  Lei nº 8.069/1990, garante que os menores têm o direito de crescer e ser educados no seio de suas famílias. Quando a criança ou adolescente é vítima de abandono afetivo, o Estatuto prevê medidas protetivas em seu favor, buscando garantir seu bem-estar e desenvolvimento saudável.

 

Além das leis, é importante considerar como os tribunais têm interpretado e aplicado essas leis em casos de abandono afetivo. O Superior Tribunal de Justiça (STJ)  oferece orientações valiosas sobre como a legislação vigente é interpretada na prática. 

 

O que fazer se identificar um caso de abandono afetivo

 

Recorrer à justiça em caso de abandono afetivo, especialmente quando envolve crianças ou adolescentes, é um processo essencial para proteger os direitos e o bem-estar da vítima. Se você conhece alguém que está passando por essa situação, aqui estão os passos gerais para seguir:

 

  • Contate as autoridades locais

Se você suspeita que uma criança ou adolescente está sendo vítima de abandono afetivo, o primeiro passo é entrar em contato com as autoridades locais, como o Conselho Tutelar, o Departamento de Assistência Social ou a Polícia. Eles podem iniciar uma investigação para avaliar a situação e tomar medidas imediatas, se necessário, para garantir a segurança da criança.

 

  • Busque aconselhamento jurídico

É importante procurar aconselhamento jurídico de um advogado que tenha experiência em questões de direitos da criança e da família. Um advogado pode orientá-lo sobre as opções legais disponíveis para auxiliar a criança na busca dos seus direitos.

 

  • Ação na justiça

Se as autoridades locais não conseguirem resolver o abandono afetivo ou se a situação persistir, você pode considerar entrar com uma ação na justiça. Isso geralmente envolve a apresentação de uma petição em um tribunal de família ou de menores, pedindo ao tribunal que intervenha para proteger a criança.

 

  • Evidência e testemunhas

É preciso reunir evidências que demonstrem o abandono afetivo, como registros médicos, testemunhas, registros escolares, fotografias e outros documentos relevantes. Isso pode fortalecer seu caso perante o tribunal.

 

  • Audiência judicial

Após apresentar a petição, o tribunal agendará uma audiência para ouvir todas as partes envolvidas. Isso pode incluir depoimentos das partes envolvidas, testemunhas e a apresentação de evidências. O tribunal tomará uma decisão com base nas informações apresentadas.

 

  • Medidas de proteção

Se o tribunal determinar que a criança está em perigo devido ao abandono efetivo, ele pode tomar medidas para proteger a criança. Como, por exemplo, conceder a custódia a um parente, emitir ordens de restrição contra o agressor ou tomar outras medidas para garantir a segurança da criança.

 

  • Acompanhamento e monitoramento

Mesmo após o tribunal tomar uma decisão, é importante que a criança continue a ser monitorada para garantir seu bem-estar e segurança. Os serviços de proteção à infância e outros órgãos podem estar envolvidos nesse acompanhamento.

 

Busque aconselhamento jurídico especializado 

 

Se você conhece alguém nesta situação, busque a ajuda de um advogado especializado em Direito de Família no diretório do LegalPass. Os profissionais não apenas compreendem as complexidades legais desse tema delicado, mas também podem ajudar na busca por justiça. 

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